Incidente ou não, a morte de um membro da tripulação do navio cargueiro de nome ESER - com bandeira do Panamá e composta por cidadãos russos - terá levado a polícia cientifica a 260 fardos de cocaína, que estavam escondidos em contentores dentro do navio. Onze russos foram detidos e serão entregues nas próximas horas ao Tribunal da Praia. O caso continua sob investigação.

A Polícia Judiciária que se muniu antes de um Mandado Judicial, entrou pela primeira vez no cargueiro ESER por volta das 15h30 (hora de Cabo Verde). Com bandeira do Panamá, o navio vinha da América do Sul e tinha como porto de destino Tanger, Marrocos. 

Entretanto, segundo a Polícia Judiciária,"o cargueiro fez uma escala no Porto da Praia, alegadamente para cumprir os procedimentos legais relacionados com a morte, a bordo, de um dos tripulantes”.  Esta atitude dos tripulantes estranhou as autoridades cabo-verdianas que trabalham com outra hipótese, de que possivelmente a máfia quis deixar uma parte da droga no país antes de seguir viagem a Marrocos.

Porém, antes, a PJ teria informações de que se tratava de uma embarcação suspeita de transportar uma quantidade indeterminada de estupefacientes. A operação policial foi assim desencadeada, dando sequência a um processo de instrução, resultante da troca de informação operacional com o MAOC –N, (Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics), com sede em Lisboa.

Para além do suporte técnico da Polícia Judiciária Portuguesa, na operação de busca, descarga, acondicionamento, transporte e guarda do produto apreendido, a Polícia Judiciária cabo-verdiana contou com a cooperação da Polícia Nacional Francesa, bem como da habitual colaboração das forças de segurança nacionais, designadamente, as Forças Armadas, a Polícia Marítima, e, ainda, da ENAPOR e do Porto da Praia.

“Os barcos de traficantes são sempre registados no Panamá, Libéria ou Togo, porque não pagam taxas para o efeito. E a grande maioria têm como portos de escala Las Palmas, Tanger ou Dakhla (Marrocos), onde as pessoas são facilmente corrompidas e facilitam na hora da troca de barcos e contentores. E assim,  a droga  chega à Europa”

De  Marrocos para a Europa

O caso do navio ESER, atracado no porto da Praia, continua sob investigação da Polícia Judiciária de Cabo Verde e não se sabe quando será liberado para seguir viagem ao seu país de origem. Porém, contactado, um analista internacional em crime organizado explicou a CENOZO que a máfia russa, a semelhança de muitas outras, tem registado os seus barcos no Panamá, daí bandeira panamense.

“Os barcos de traficantes são sempre registados no Panamá, Libéria ou Togo, porque não pagam taxas para o efeito. E a grande maioria têm como portos de escala Las Palmas, Tanger ou Dakhla (Marrocos), onde as pessoas são facilmente corrompidas e facilitam na hora da troca de barcos e contentores. E assim,  a droga  chega à Europa”, sublinhou,

No caso concreto da droga apreendida em Cabo Verde, o especialista em segurança internacional acredita que o navio ESER não tinha como destino estas ilhas no meio do Atlantico mas sim Marrocos, onde provavelmente ia passar a droga para um outro barco e leva-la à Europa. Esta máfia, pontua, há muito é referenciada no  tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Também e tida como a mais “violenta” porque não costuma hesitar em  matar quem quer que seja que atravesse no seu caminho”.